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Comportamento

Comportamento das aves: aprenda a compreender o seu pássaro

Uma ave comunica com as penas, os olhos, a postura e a voz. Este guia ensina-o a ler os seus sinais, a compreender as suas bicadas e a conquistar a sua confiança.

6 min de leitura Voltar ao guia de aves
Índice (7)
  1. 1. Uma ave é um animal de bando
  2. 2. A linguagem das penas e dos olhos
  3. 3. A voz como comunicação
  4. 4. Sinais de medo e stress
  5. 5. Porque é que ela o morde
  6. 6. A automutilação das penas: quando algo corre mal
  7. 7. Como conquistar a sua confiança

As aves de companhia são animais inteligentes, sensíveis e muito sociais e, ao mesmo tempo, são presas por natureza. Essa dupla condição explica quase todo o seu comportamento. Aprender a ler os seus sinais transforma a convivência e evita a maioria dos problemas.

Uma ave é um animal de bando

Em liberdade, uma ave vive em grupo: o bando é segurança, companhia e comunicação constante. Uma ave de companhia transfere essa necessidade para o seu lar — você e a sua família são o seu bando.

Daí vêm muitos comportamentos: chama-o quando sai do quarto, quer estar onde você está, vocaliza para manter o contacto. Não é capricho, é a sua natureza. Uma ave isolada e sem interação sofre.

A linguagem das penas e dos olhos

O corpo da ave diz muito se souber observar:

  • Penas coladas ao corpo, postura esticada · alerta, tensão ou medo.
  • Penas ligeiramente eriçadas e ave descontraída · conforto. Mas atenção: uma ave muito «encolhida», apática e imóvel durante muito tempo pode estar doente.
  • Alisar as penas com calma ou esticar uma asa e uma pata · bem-estar.
  • Poupa ou penas da cabeça (nas espécies que as têm) · a sua posição indica o estado de espírito.
  • Pupilas que se contraem e dilatam rapidamente («pinning») · excitação intensa, que pode ser entusiasmo ou aviso de bicada — observe-a em conjunto com o resto do corpo.
  • Cauda que se abre ou se mexe, asas entreabertas · consoante a espécie, exibição, excitação ou calor.

A voz como comunicação

Para uma ave, a voz é comunicação contínua. A conversa suave, o cantarolar e as imitações costumam ser sinal de uma ave à vontade. Os chamamentos de contacto (chama-o, você responde) mantêm o vínculo do bando. Os gritos do amanhecer e do entardecer são naturais e difíceis de eliminar. Uma ave em silêncio absoluto e apática, pelo contrário, não é bom sinal.

Sinais de medo e stress

Como presa, a ave expressa o medo de forma reconhecível:

  • Ficar muito imóvel, esticada e magra, tentando «desaparecer».
  • Bater de asas em pânico dentro da gaiola, tentativas de fuga, chocar contra as grades.
  • Ofego ou respiração agitada por stress.
  • Recusa do contacto que antes aceitava, bicadas defensivas novas.

Perante o medo, reduza os estímulos: voz baixa, movimentos lentos, sem invadir o seu espaço, e dê-lhe tempo.

Porque é que ela o morde

A bicada raramente é agressividade gratuita. Costuma ser medo, defesa do território, hormonas na época de reprodução, dor ou um comportamento aprendido (mordeu, você conseguiu afastar-se ou deu-lhe atenção, ela repetiu). Quase sempre a ave avisa antes com a postura e as penas.

O que fazer: aprenda a ler o aviso e não force o contacto nesse momento; não reaja aos gritos nem com gesticulações exageradas (pode reforçar o comportamento ou aumentar o medo); e nunca bata numa ave. Se as bicadas forem frequentes, veja o que as provoca e, se for preciso, consulte um profissional.

A automutilação das penas: quando algo corre mal

Arrancar as penas —a automutilação— é um dos sinais mais sérios de que a ave não está bem. As causas são variadas: tédio, stress, solidão, falta de descanso, um problema de saúde ou de pele. O primeiro passo é sempre descartar uma causa médica com um veterinário especializado em aves. A partir daí trabalha-se o ambiente, o enriquecimento, o sono e a companhia. Não deixe passar: quanto mais se cronifica, mais custa reverter.

Como conquistar a sua confiança

A confiança de uma ave constrói-se devagar:

  • Comece por estar perto sem invadir: que ela se habitue à sua presença e à sua voz.
  • Fale em tom suave e constante; os movimentos bruscos assustam.
  • Ofereça prémios (um pedacinho da sua comida favorita) sem forçar o contacto; deixe que seja ela a aproximar-se.
  • Respeite os seus «não»: se ela se afasta, respeita-se. Forçar quebra o vínculo.
  • Premeie a calma e a curiosidade; nunca castigue o medo.
  • Tenha paciência: dias nalgumas aves, semanas ou meses noutras.

Em resumo: a sua ave é um animal de bando, inteligente e ao mesmo tempo presa, que comunica com as penas, os olhos, a postura e a voz. Aprenda a ler os seus avisos —sobretudo antes de uma bicada—, nunca force o contacto e trate a automutilação e o stress como aquilo que são: sinais de que algo tem de mudar. A confiança conquista-se com respeito e paciência.

Perguntas frequentes

Porque é que o meu pássaro me morde?
Quase nunca é maldade. Uma ave morde por medo, para pedir distância, por territorialidade (sobretudo na época de reprodução ou junto à sua gaiola), por dor ou porque a certa altura aprendeu que, ao morder, consegue algo. A chave está em ler o aviso ANTES da bicada: a ave anuncia-o quase sempre com a postura e as penas. Nunca responda com uma pancada nem aos gritos.
Porque é que a minha ave grita tanto?
Vocalizar é natural numa ave: os chamamentos do amanhecer e do entardecer e a conversa ao longo do dia são normais. O grito sustentado costuma ser outra coisa: tédio, falta de atenção, stress ou um grito que aprendeu porque lhe resulta para o chamar. Tratamo-lo a fundo no guia sobre o ruído.
Porque é que arranca as penas?
A automutilação das penas (arrancar as penas) é um sinal sério de que algo corre mal: tédio, stress, solidão, falta de sono, um problema de saúde ou de pele. Não é uma mania sem importância. O primeiro passo é descartar uma causa médica com um veterinário de aves; depois trabalha-se o ambiente e o enriquecimento. Quanto mais cedo se abordar, melhor.
É possível domesticar mesmo uma ave?
Uma ave não se "domestica" como um cão, mas pode confiar plenamente em si, procurá-lo, deixar-se acariciar e desfrutar da sua companhia. Essa confiança constrói-se com paciência, respeito e tempo, nunca à força. Forçar o contacto quebra o vínculo. As aves que vêm de uma má experiência precisam de ainda mais calma e tempo.
A minha ave precisa de sair da gaiola?
Sim, sempre. Nenhuma ave deve viver fechada numa gaiola 24 horas por dia: precisa de sair diariamente, de se mover, de voar se puder e de interagir. A gaiola é a sua base, não o seu mundo. O tempo fora, supervisionado e num ambiente seguro, é essencial para o seu equilíbrio físico e mental.

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