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As aves de companhia são animais inteligentes, sensíveis e muito sociais e, ao mesmo tempo, são presas por natureza. Essa dupla condição explica quase todo o seu comportamento. Aprender a ler os seus sinais transforma a convivência e evita a maioria dos problemas.
Uma ave é um animal de bando
Em liberdade, uma ave vive em grupo: o bando é segurança, companhia e comunicação constante. Uma ave de companhia transfere essa necessidade para o seu lar — você e a sua família são o seu bando.
Daí vêm muitos comportamentos: chama-o quando sai do quarto, quer estar onde você está, vocaliza para manter o contacto. Não é capricho, é a sua natureza. Uma ave isolada e sem interação sofre.
A linguagem das penas e dos olhos
O corpo da ave diz muito se souber observar:
- Penas coladas ao corpo, postura esticada · alerta, tensão ou medo.
- Penas ligeiramente eriçadas e ave descontraída · conforto. Mas atenção: uma ave muito «encolhida», apática e imóvel durante muito tempo pode estar doente.
- Alisar as penas com calma ou esticar uma asa e uma pata · bem-estar.
- Poupa ou penas da cabeça (nas espécies que as têm) · a sua posição indica o estado de espírito.
- Pupilas que se contraem e dilatam rapidamente («pinning») · excitação intensa, que pode ser entusiasmo ou aviso de bicada — observe-a em conjunto com o resto do corpo.
- Cauda que se abre ou se mexe, asas entreabertas · consoante a espécie, exibição, excitação ou calor.
A voz como comunicação
Para uma ave, a voz é comunicação contínua. A conversa suave, o cantarolar e as imitações costumam ser sinal de uma ave à vontade. Os chamamentos de contacto (chama-o, você responde) mantêm o vínculo do bando. Os gritos do amanhecer e do entardecer são naturais e difíceis de eliminar. Uma ave em silêncio absoluto e apática, pelo contrário, não é bom sinal.
Sinais de medo e stress
Como presa, a ave expressa o medo de forma reconhecível:
- Ficar muito imóvel, esticada e magra, tentando «desaparecer».
- Bater de asas em pânico dentro da gaiola, tentativas de fuga, chocar contra as grades.
- Ofego ou respiração agitada por stress.
- Recusa do contacto que antes aceitava, bicadas defensivas novas.
Perante o medo, reduza os estímulos: voz baixa, movimentos lentos, sem invadir o seu espaço, e dê-lhe tempo.
Porque é que ela o morde
A bicada raramente é agressividade gratuita. Costuma ser medo, defesa do território, hormonas na época de reprodução, dor ou um comportamento aprendido (mordeu, você conseguiu afastar-se ou deu-lhe atenção, ela repetiu). Quase sempre a ave avisa antes com a postura e as penas.
O que fazer: aprenda a ler o aviso e não force o contacto nesse momento; não reaja aos gritos nem com gesticulações exageradas (pode reforçar o comportamento ou aumentar o medo); e nunca bata numa ave. Se as bicadas forem frequentes, veja o que as provoca e, se for preciso, consulte um profissional.
A automutilação das penas: quando algo corre mal
Arrancar as penas —a automutilação— é um dos sinais mais sérios de que a ave não está bem. As causas são variadas: tédio, stress, solidão, falta de descanso, um problema de saúde ou de pele. O primeiro passo é sempre descartar uma causa médica com um veterinário especializado em aves. A partir daí trabalha-se o ambiente, o enriquecimento, o sono e a companhia. Não deixe passar: quanto mais se cronifica, mais custa reverter.
Como conquistar a sua confiança
A confiança de uma ave constrói-se devagar:
- Comece por estar perto sem invadir: que ela se habitue à sua presença e à sua voz.
- Fale em tom suave e constante; os movimentos bruscos assustam.
- Ofereça prémios (um pedacinho da sua comida favorita) sem forçar o contacto; deixe que seja ela a aproximar-se.
- Respeite os seus «não»: se ela se afasta, respeita-se. Forçar quebra o vínculo.
- Premeie a calma e a curiosidade; nunca castigue o medo.
- Tenha paciência: dias nalgumas aves, semanas ou meses noutras.
Em resumo: a sua ave é um animal de bando, inteligente e ao mesmo tempo presa, que comunica com as penas, os olhos, a postura e a voz. Aprenda a ler os seus avisos —sobretudo antes de uma bicada—, nunca force o contacto e trate a automutilação e o stress como aquilo que são: sinais de que algo tem de mudar. A confiança conquista-se com respeito e paciência.
Perguntas frequentes
Porque é que o meu pássaro me morde?
Porque é que a minha ave grita tanto?
Porque é que arranca as penas?
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